(reprodução/YouTube) 


Rita apareceu com muitas novidades nos últimos dias. Até a única ruim, que foi saber que ela passa por um tratamento de câncer de pulmão, é atenuada pela forma positiva e de enfrentamento com que ela resume a questão. Nada de coitadismo. Computa as décadas fumando e constata que a conta iria chegar.

Mas as outras...exposição no MIS, em São Paulo, com seus figurinos sempre ousados, irreverentes e cheios da criatividade e humor com que mrs. Jones sempre brindou as plateias. Com direito a áudios dela mesma, o que faz com que a experiência ganhe ainda mais sabor. 

E saiu, quentinha, sua reincorporação à dance music. Rita Lee, para quem não sabe, foi a nossa porta, ao lado de Tim Maia, para a disco que agitava as pistas no final dos anos 70. A guinada aconteceu no álbum de 1979, mas foi no seguinte, o de Lança Perfume, que se concretizou a revolução pop que a sempre mutante personalizou nos hit parades brasileiros, chegando a seduzir, cruzando o Atlântico, logo quem, o filho da Elizabeth. Ele mesmo, o taciturno Charles.The Crown teria ficado mais interessante se colocasse ele e Camilla Parker Bowles em uma banheira de espuma ouvindo Rita em alguma cena da série.

Com a adição de Gui Boratto, DJ da primeira divisão das pick-ups, à dupla de cama (que ela diz ter ganho outra conotação, mais contida, aos 73), mesa (de áudio) e banho (de espuma) que forma com Roberto de Carvalho, Change clama por mudanças em francês e inglês. E é uma feliz coincidência (ou talvez não seja tão coincidência assim, a esotérica enfant terrible concordaria), que a primeira canção lançada por Rita em nove anos seja a primeira a entrar na nossa programação depois da criação da BRio, justamente fazendo a mistura de línguas que ouvimos mais frequentemente em Luxemburgo. 

E a França merece esta deferência. País com os ouvidos abertos à música do planeta, em que você se delicia ouvindo em apenas quinze minutos de programação de uma rádio música cantada em francês, inglês, espanhol e, porque não, português, a terra do Daft Punk forneceu inspiração para a pegada french touch da produção construída em Change, bem como, por meio da canção composta por Georges Moustaki e vertida para o português por Nara Leão, um dos primeiros sucessos de sua carreira solo, lá em 1970, no seu primeiro ábum solo, Build-Up. José está na BRio, desde o começo, e Changes chega chegando.

ROBERTO VIEIRA

Roberto Vieira é diretor da BRio, radialista, publicitário e autor de No Tempo do Mundo - Crônicas de um Locutor que Escreve, disponível para compra em https://amzn.to/2ZGGt09




Deixe seu Comentário


Edilson - 29/09/2021 20h17
Roberto, Agora ficou perfeito para leitura. Abraço