
(reprodução/YouTube)
Estou em fase de criação, produção e efetivação do projeto BRio. A rádio já está no ar, mas ainda no esquema ‘vitrolão’, sem apresentação e vinhetas. Vou fazendo ajustes, monitorando, encaixando a grade de programação, e enquanto isso vou me deleitando com as músicas de uma das maiores manifestações artísticas do planeta. É prazeroso, em meio a tantas notícias ruins vindas do Brasil, estar ligado ao que fazemos de melhor. A música produzida no nosso país revigora, orgulha e dá esperança. Estimula, e penso que, para quem ama a arte, acontece a mesma coisa.
Hoje, enquanto a BRio tocava Cantiga para Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, com este último e Fagner, música representando o Brasil que Evinha defendeu no 4ª Festival Internacional da Canção, em 1969, vitoriosamente, me lembrei que, por conta de um espermatozóide, vitorioso, também, não ganhei este nome por conta desta canção, suave, melódica e que arrebatou pessoas como minha mãe, que teria uma Luciana Vieira em lugar do Roberto, aqui. O que seria de toda esta história? Não sei. Sei que um nome muda tudo. Sei que ser um Roberto me abriu portas, mas não sei como seria com Luciana. Talvez as donas do nome possam me dizer.
É apenas uma das mostras de como a arte pode ser poderosa. Uma cidade já ganhou seu nome por conta de uma canção. Maringá, no norte do Paraná, é linda, a música também. O Brasil tem destas coisas, Ritchie. Aliás, brasileiros ganharam seu nome (um apelido para Richard, por sinal, como aconteceu com a Sandy, que batiza meninas apesar de ser apelido para Sandra) em virtude de seu estrondoso sucesso em 1983. E quantos outros não foram batizados pela música? Apenas no meu métier, cansei de conhecer xarás Carlos por conta do Rei. O jogador de futebol acabou até por ofuscar a inspiração primeira. Por falar nisso, apesar de minha mãe ser fã, não foi por ele que fui registrado assim, mas por conta de um tio que se foi cedo demais.
A música tem tantas utilidades que batizar bebês é apenas uma das mais curiosas. Por falar nisso, acabou de tocar Elas por Elas, do Zeca Baleiro. Tem uma menininha vindo por aí, casais? Que tal ouvir a deliciosa e criativa canção composta por ele para ganhar umas sugestões de nome (e se divertir com a inspirada trajetória amorosa do personagem pelas Elas) antes de tomar uma decisão que vai impactar uma vida para sempre?
ROBERTO VIEIRA
Roberto Vieira é diretor da BRio, radialista, publicitário e autor de No Tempo do Mundo - Crônicas de um Locutor que Escreve, disponível para compra em https://amzn.to/2ZGGt09